segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Último Discurso (O grande ditador) - Charles Chaplin


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progreso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Peça "Cala a boca já morreu" - Cena 02 (Os delírios de Atílio Ronchetto).



Elenco: Ana Paula Marques Pais, André Luiz Sant´Ana, Bruno Diego Teixeira Alves, Deriton Lopes, Heloisa Calazans de Oliveira Ribas, Jonathan Guedes, Juliane Porpeta Batista, Leandro Bertola, Lilian Ferreira, Márcio de Lucca Soares, Michele Abreu D´Lucca, Pedro de Sá Louro, Rederson Regis da Cunha, Thais Milene Pereira Polidoro.

Direção: Paula Bittencourt

Local: Teatro Municipal de Marília

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Arte by Espinosa

Até hoje ninguém definiu aquilo que o corpo é capaz... mas dizem que seria impossível deduzir apenas das leis da Natureza, uma vez considerada exclusivamente como corpórea, as causas das edificações arquitetônicas, da pintura, e coisas afins que só a arte humana produz, e que o corpo humano não conseguiria construir nenhum templo se não estivesse determinado e dirigido pela alma, mas eu já mostrei que tais pessoas não sabem de que é capaz o corpo e o que concluir do simples exame da sua natureza ...

ESPINOSA (Ética, III, Teorema 2, Escólio)

domingo, 8 de novembro de 2009

Tênis e Frescobol

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos [relacionamentos] são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal.

Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:

"Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?”

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."

Scheherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manha, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música.

A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo…". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada."

É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolve-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá…
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebenta-lo, como bolha de sabão…
O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres.

Bola vai, bola vem - cresce o amor… Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

(Rubem Alves)

domingo, 25 de outubro de 2009

Peça "Cala a boca já morreu" de Luis Alberto de Abreu - Cena do ponto de ônibus



Elenco: Ana Paula Marques Pais, André Luiz Sant´Ana, Bruno Diego Teixeira Alves, Deriton Lopes, Heloisa Calazans de Oliveira Ribas, Jonathan Guedes, Juliane Porpeta Batista, Leandro Bertola, Lilian Ferreira, Márcio de Lucca Soares, Michele Abreu D´Lucca, Pedro de Sá Louro, Rederson Regis da Cunha, Thais Milene Pereira Polidoro.

Direção: Paula Bittencourt

Local: Teatro Municipal de Marília

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Paulo Freire e a Educação - Parte 05

Harold diz (04 de julho):

Cara professora e colegas
Bom dia

Ao ler o texto e assistir aos vídeos da obra passada, presente e futura de Paulo Freire, observo uma entidade visionária pois desde os anos 50 ele via a necessidade da inclusão dos exclusos através da educação.O encaminhamento da solução dos problemas de suas comunidades através da educação. A ativação da cidadania através da educação. Não aquela bombardeada em um sentido mas, a interativa usando o conhecimento e a experiência de ambos os lados alunos e professores ou devo dizer orientadores, motivadores e pesquisadores. O filme nos fez ver um Brasil enorme e muito diversificado em suas culturas, necessidades e os princípios e ações aplicados em 1950 são as nossas metas para o século 21.Interessante também ver que esses princípios não se aplicam somente ao Brasil mas até para paises supostamente ultra desenvolvidos como a Suécia.Isto prova para mim que o pior cego é aquele que não quer ver e que o maior suicídio para o sistema de ensino é não se abrir para ver as novas vertentes que se criarão mas especialmente as mais antigas que pela grande inovação poderiam ser relegadas ao desconhecimento.
Para finalizar mudo minha opinião pessoal sobre a ditadura que como não me afetou de maneira decisiva não a achava tão maléfica como os mais experientes a falavam. Só o fato deles terem ceifado por um período grande a enorme possibilidade de darmos um passo decisivo na educação dos excluídos e consequentemente adquirir a plenitude da cidadania, mostra o quanto não havia nada de amor nas suas intenções para com o pais e seu povo.
Obrigado a todos
Abraços
Harold

Sandro Santos diz (04 de julho):

Bom Dia professora, colegas...estou com saudades de todos, precisamos aproveitar o frio de qualquer sábado, para ouvirmos os causos do Ramão e eu levo a Viola Caipira.
Bom Vamos lá:

Muito bacana e emocionante o documentário sobre Paulo Freire, temos a oportunidade de ouvirmos pessoas participantes do processo, é diferente de ler, emociona.
A contribuição de Freire se dá na forma de praticar a educação, não como depositários, mas sim fazendo parte da vida das pessoas, ou melhor, daqueles que estão fazendo parte do processo de aprendizagem, não simplesmente recebendo, mas sendo integrante de cada fase, possibilitando o nascimento de seres humanos capazes de criar, analisar e ser cidadão.
" Ensinar não é transmitir conhecimento e sim criar possibilidades para sua produção e construção."
Grande abraço a todos!!!

Fioravante diz (04 de julho):

Bom Dia Professora Márcia e demais colegas!

“JUSTIÇA SOCIAL ANTES DA CARIDADE”

Esta frase, observada no documentário, reflete a necessidade da valorização do indivíduo como pessoa, como cidadão dentro do contexto em que vive.
Paulo Freire acredita que a responsabilidade de uma sociedade mais justa, é de cada cidadão, por isso, é importante a consciência social, o exercício da cidadania. Mas esta educação para a cidadania envolve a todos, parte de um intercâmbio entre o Educador e o Educado, de uma valorização da cultura da própria comunidade, de sua identidade cultural.
Os profissionais, educadores, saem também enriquecidos nesta interação social, ensinam e aprendem, encurtam a distância entre o conhecimento teórico e a realidade social.
Mais do que teorias abstratas, a educação deve abranger os princípios e valores do homem, como individuo inserido numa sociedade, a educação deve seguir uma linha imaginária horizontal, onde o educador não se encontra numa posição de detentor único do conhecimento, senão ele próprio se torna um elemento excluidor. A frase de Paulo Freire “Quem ensina aprende a ensinar e quem aprende ensina a aprender” deve ser constantemente refletida pelo educador.

Ismael diz (04 de julho):

O conhecimento realmente liberta, é como se ele fosse uma espécie de lente especial, no qual nos fornece uma visão com mais qualidade sobre o que acontece ao nosso redor. O fato de adquirir um conhecimento não é tão impressionante, mas o que as pessoas fazem desse conhecimento é que é. Aonde quer que vamos é possível observar uma enorme quantidade de saberes em uma única pessoa, e as vezes essa própria pessoa nem se da conta disso, o papel de nós educadores é potencializar esses saberes e torna-lo visível não somente a pessoa mas de todos ao seu redor. O NECOM, acredito eu, esta promovendo essa potencialização de conhecimento e saberes além da conscientização. Interage perfeitamente com a Proposta de Freire

Um ótimo final de semana para todos nós
Fico por aqui!!!
Abraços a todos

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Paulo Freire e a Educação - Parte 04

Leandro Bertola diz (04 de julho):

Professora Márcia, Confrades e Confreiras,

Muito interessante, os vídeos e o texto. Assistir ao vídeo reforça nossa esperança por uma sociedade mais justa e solidária. Patrícia, também me emocionei com o vídeo.
Esse aspecto transformador, que está nas mensagens da Josiele, Paulo, Patrícia e Rosana realmente reflete os conceitos propostos por Paulo Freire, assim como no aspecto interdisciplinar relatado também pelo Paulo.

O projeto comunitário da baixada santista reflete a aplicação pedagógica visando a melhoria da comunidade, observamos ali, um trabalho social; humanitário e interdisciplinar. A educação sempre deságua em três pontos: pesquisa; docência e extensão, aspectos que são bem visíveis no projeto do NECOM, principalmente no tocante a extensão.

Com relação a trabalhar de forma interdisciplinar é importante para entrelaçar as disciplinas, “linkando” umas nas outras e construindo conhecimento. Dentro dessa temática escrevi um dos primeiros posts (postado em 14 de abril desse ano) do blog artenoensino.blogspot.com criado no módulo do professor Gilson. Nesse post tratei da interdisciplinaridade, segue trecho com a citação:
[...] A Professora Vani Moreira Kenski em sua obra Tecnologias e Educação: O novo ritmo da informação aborda essa problemática de isolarmos as disciplinas em sala de aula, vejamos:

“Por mais que as escolas usem computadores e internet em suas aulas, estas continuam sendo seriadas, finitas no tempo, definidas no espaço restrito das salas de aula, ligadas a uma única disciplina e graduadas em níveis hierárquicos e lineares de aprofundamento dos conhecimentos em áreas específicas do saber. Professores isolados desenvolvem disciplinas isoladas, sem maiores articulações com temas e assuntos que têm tudo a ver um com o outro, mas que fazem parte dos conteúdos de uma outra disciplina, ministrada por um outro professor. E isso é apenas uma pequena parte do problema para a melhoria do processo de ensino.”. (Vani Moreira Kenski, 2008, Papirus, pg. 46).

Podemos fazer relação e contextualizar as contribuições de Paulo Freire no projeto do NECOM. Paulo Freire sempre foi apaixonado por educação e suas ações pedagógicas merecem respeito.

Obrigado a todos por nossas trocas nesse fórum.
Abraços,
Leandro

“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.” (Paulo Freire).

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Leandro,

Que bom que você tocou na importância dos projetos interdisciplinares, e fez ótimas considerações a partir do que já vivenciou no curso.

Aproveito para deixar alguns comentários para todos os alunos sobre os PROJETOS INTERDISCIPLINARES:
Trabalhar com PROJETOS INTERDISCIPLINARES é uma maneira de organizar o processo de ensino-aprendizagem de forma diferente da tradicional (dividida em disciplinas com saberes fragmentados).

Cada projeto nasce de um questionamento, de uma necessidade de saber, que pode partir tanto do aluno quanto do professor.
Os projetos interdisciplinares estão vinculados à proposta de conhecimento globalizado.

Fernando Hernández (educador espenhol), defende a ideia de reorganização do currículo escolar por projetos. Para o educador todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto.

Jorge Silva diz (o4 de julho):

Olá Professora Márcia e Amigos. Bom Dia!

Com relação a Paulo Freire, lamento até hoje não ter estudado sobre o mesmo, mas depois de assistir esse vídeo, me apaixonei pela idéia e pela pessoa de Paulo Freire. Partindo do princípio que no momento estamos almejando construir cada vez mais conhecimentos para mediar com nossos semelhantes, vejo que nós futuros docentes temos que nos mergulhar nas obras de Paulo Freire.

Tanto o texto, quanto o vídeo, mostra a eficácia do método de Paulo Freire no sentido de que a educação voltada para as necessidades do povo, faz com que o ser humano, seja, autônomo e confiante, fazendo-o reivindicar e brigar pelos seus direitos, tornando-o cidadão de verdade.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Bom dia Jorge e todos os amigos de Santa Cruz do Rio Pardo,

Conhecer Paulo Freire nunca é tarde. Como temos apenas um encontro presencial no módulo "Projetos interdisciplinares" pensei em adiantar o documentário sobre a vida e as ideias de Paulo Freire, pois, elas são o ponto de partida para a organização das atividades do módulo. Que bom que agora você já sabe um pouco, assim, poderemos começar a aula de sábado que vem, bem adiantados no assunto.

Estudar Paulo Freire é muito importante para todos aqueles que acreditam na educação humanizadora e de qualidade para todos.

Jorge Silva diz (04 de julho):

Professora Márcia e Amigos o que estamos vivenciando no momento é pura pedagogia Freiriana, é a prática de repensar a educação em nosso contexto social, para que atenda eficazmente as necessidades da mesma.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Justa a sua colocação. O próprio Paulo Freire, na Pedagogia da autonomia (1996, p. 7), nos deixou escrito. "Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo."

Valeu pela participação.
Professora Márcia

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Paulo Freire e a Educação - Parte 03

Cristina Geenerich diz (04 de julho):

Bom as contribuições de Paulo Freire para a educação, ele deixa explícito claro é a educação para ser cidadão ou seja para cidadania,para que esse cidadão descubra-se que ele sim construa sua própria história pensando também nas pessoas que te rodeiam ou no lugar que o mesmo vive.Isso faz com que ele tenha as visões críticas,tomando por base as visões críticas do mundo para que ele se descubra,descubra novas experiências fazendo com que ele cresça á cada dia mais, para que ele acredite de que é capaz e é útil para a sociedade,fazendo com ele ele enxergue um mundo diferente.Fazendo-nos pensar e sim redefinir o papel de nós como educadores que somos(professores)em nossas práticas em sala de aula.Temos que fazer com que os alunos se interessem e se instiguem á pensar, pesquisar e visando a busca para problemas em que vão vivenciar em sala de aula,proporcionando-lhes o auto aprendizado,também fomentação de debates na qual irão compartilhar os seus saberes.Educar não tão somente ensinar é aflorar as idéias das pessoas e fazer com que elas produzem o seu conhecimento é aceitar as pessoas de maneira que não as restringem de seus conhecimentos é acreditar que elas tem potencial.....
abraços crissssss!!!

(...)

Acredito que Paulo Freire é um poeta realista da vida onde ele se emociona com o ser humano e de tal forma ele quer que cada coração se toque e enxergue adiante e também acredita que cada um é um construtor de sua vida cada um busca seus objetivos e Paulo Freire agiu com um grande mediador das suas sabedorias transmitidas... ele é o pai de sua história..... rsrs !!!!!

(...)

arquiteta de minha própria vida.....
não escolhi ser o que sou.... escolhi ser o que você imaginou ... se hoje sou o que sou é que a vida fez..de mim o arquiteto do meu conhecimento....!!!!!

(...)

Ah!!! pedacinho de mim....
pedacinho de mim quer sorrir ...pedacinho de mim que viver...
pedacinho de me quer ver seus olhos á sorrirem....
pedacinho de mim quer ver você exaltado de alegria ... pedacinho de mim chora ao se emocionar que pedacinho de você hoje sabe ler.....
pedacinho de mim......
crisssssssssssss!!!! sem palavras!!!

(...)

Josi PAULO FREIRE é o poeta da alma... ele infunda o trem da minha vida.... por isso sou caipira pirapora....bjus miga cris!!!!



Josiele Stoco diz (04 de julho):

Um grande poeta sim Cris, que viu no homem sua maior fonte de inspiração, mas além de tudo isso, um grande homem que contribuiu para abrir os olhos dos de mais para os "de menos".

terça-feira, 14 de julho de 2009

Paulo Freire e a Educação - Parte 02

Olá amigos, conforme prometido vou publicar alguns trechos do forum do Paulo Freire, foram muitas postagens no dia, dessa forma não publicarei a íntegra da discussão. Escolhi alguns trechos e dividi em partes para facilitar aos leitores.
Segue uma parte do debate e na sequência publicarei o restante.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Bom dia caros alunos da comunidade virtual!!!!!!
É com muito prazer que inicio mais uma aula à distância, agora com o módulo "Projetos interdisciplinares", cuja temática é o ensino e diferentes formas de se organizar o currículo escolar.
Desejo a todos uma ótima aula!!!!!
Professora Márcia

Paulo Ramão diz (04 de julho):

Prezada Profa. Márcia e diletos confrades, bom dia!
Iniciando as discussões de nossa aula de hoje, posto aqui minhas considerações iniciais:
Creio que uma das grandes contribuições de Paulo Freire para o Ensino é deixar claro o objetivo de educar para a Cidadania, para que o sujeito se descubra como objeto e construtor de sua própria história e da comunidade onde vive. Tudo isso com uma visão consciente e crítica. Essa proposta de Freire toma por base o indivíduo e suas experiências, construindo, a partir daí, uma nova prática educadora, fazendo-o acreditar ser capaz de promover grandes transformações em si e, por conseqüência, na sociedade onde está inserido.
A partir desse modelo educacional proposto por Paulo Freire, somos levados a buscar redefinir o papel do professor na sala de aula e nossa prática. O processo de Ensino deve ser estimulante, interativo, inter e transdisciplinar, remetendo os alunos à busca de soluções para problemas vivenciais, relacionando teoria e prática, e propiciando espaços para que se desenvolva o auto-aprendizado, fomentando debates, propiciando o compartilhamento de saberes.
Usando parte de uma frase interessantíssima de nossa colega Maria do Carmo Crosatti Gazola, em post no fórum do módulo de Psicologia da Educação, “... educar os olhos para a leitura do mundo... ”.
Citando o grande educador, “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção... Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender”.
Jacta est!

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Paulo,
Ótimas observações iniciais. Você aponta o conceito de ensino de Paulo Freire que é a mola propulsora das nossas discussões no módulo. Esse conceito está contido no documentário e no livro Pedagogia da autonomia como você referenciou.

Patrícia Tavares Delfino diz (04 de julho):

Bom dia Profª. Márcia e colegas de estudo.

Nossa fiquei emocionada com o video sobre a vida e obra de Paulo Freire.
Como pôde ter existido alguém que se preocupa-se com a educação dos oprimidos.
É confortante saber das teorias e técnicas aplicadas por ele.
São exemplos a serem seguidos.
Principalmente daquelas pessoas simples que com a alfabetização se achavam as melhores do mundo.

(...)

"a participação na construção de uma sociedade mais justa e humana, envolvendo intervenções sociais, interligando o ensino e pesquisa; e a contribuição na formação técnica e humana de profissionais cidadãos" (Lima, 2004).

Este artigo qual a profa pediu que lessemos nos faz refletir de como a teoria de Paulo Freire não era apenas ensinar o abc ao oprimido, mas sim incluí-lo na sociedade e fazê-lo participante dela, gozando de seus direitos e deveres civis.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Patrícia e caros alunos,
Que bom que gostou, eu também me identifico muito com os conceitos de Paulo Freire.
Para melhor conhecimento de todos faço alguns comentários iniciais:
Paulo Freire, educador pernambucano nasceu em 1921 e morreu em 1997.
Apontou a necessidade de iniciarmos o processo de ensino-aprendizagem com um tema gerador (que nasce das necessidades dos educandos).
Paulo Freire propõe exercitar nos alunos a formação de uma consciência crítica.
As etapas da formação da consciência crítica para Paulo Freire são:
1) Investigação: descoberta do universo vocabular dos educandos.
2) Tematização: nesta etapa são identificados os temas geradores.
3)Problematização: é o momento da conscientização para a transformação social.

Profº. Gilson diz (04 de julho):

Olá Paulo
Não posso deixar de comentar sua observação com uma frase de Galliano
"O Conhecimento Liberta"
É impressionante como novas perspectivas surgem quando passamos a compreender o contexto em que vivemos e conseguimos aproveitar melhor o que está ao nosso redor.
Para isso é preciso "um novo olhar", tão discutido anteriormente.
Brindemos ao saber!
Um abraço
Prof. Gilson

GALLIANO, A. G. O Método Científico: Teoria e Prática. São Paulo – SP: Editora HARBRA Ltda, 1986.

Rosana Nunes diz (04 de julho):

Bom dia professora Márcia e colegas de curso
O que eu vejo e sinto na obra de Paulo Freire não é apenas a educação escolar em si, mas a preocupação em transformar "pessoas", em ampliar a forma de comunicacão, em preparar cidadãos e junto a consciência coletiva de que precisamos mudar o sistema e a forma como somos tratados.
O que me chama a atenção, também, no trabalho de Paulo Freire é sua postura ética. Quando ele cita que não adianta a estética sem a beleza interior, nos chama a atenção sobre o ser "verdadeiro" em nosso trabalho como educador. Sendo assim, não podemos nos exluir do contexto político, temos que assumir nossas posturas e assim transformar nossos pensamentos em ações efetivas dentro da educação.
Paulo Freire diz: RAÇA? SER HUMANO...quanta sensibilidade!!!

Josiele Stoco diz (04 de julho):

Bom dia à todos!
Falar de Paulo Freire é maravilhoso, ele não é só um "transformador" de conceitos, mas também, um poeta da vida, uma pessoa capaz de enxergar a vida com outros olhos mesmo com tanta desigualdade e miséria no mundo.

(...)

Bom, as minhas considerações (humildes considerações diga-se de passagem, ainda mais sobre Paulo Freire!) sobre a contribuição de Paulo Freire para o ensino são as seguintes:
Sem dúvida nenhuma Paulo Freire foi um grande sábio no cenário educacional brasileiro, e porque não dizer um grande poeta da vida. Sua percepção apurada das pequenas coisas do viver humano o fez perceber o quanto a aprendizagem está amarrada a vivência diária e como é importante levar isso em consideração na alfabetização das crianças, dos jovens e adultos.
Como é interessante observar suas falas e perceber que tudo estava ali à nosso alcance, mas nunca fomos capazes de enxergar até que ele apontasse o caminho, como é penoso ver os rumos que a educação brasileiro tomou seguindo o modelo de “educação bancária”.
A pedagogia da inclusão é justamente um modo de rever nossas ultrapassadas formas de ensinar, nossos erros e pré-conceitos em relação aos educandos que chegam até nós com tantas experiências riquíssimas de vida. É incluir desde o catador de papel até o filho do artista de circo que vive viajando, é buscar ensinar a partir de conhecimentos já adquiridos na rua, em casa, com amigos, família, no viver diário.
Paulo Freire não abriu uma porta para a mudança na educação, e sim a escancarou, contudo, ainda depende de cada um que atua na área educacional decidir se vai passar por ela ou não e, infelizmente ainda é muito comum encontrar o depósito de conteúdos nas escolas, no entanto, mesmo com tantas barreiras ainda a serem derrubadas e tantos outros obstáculos a serem enfrentados, ele foi de suma importância para as mudanças que passaram a ocorrer nesse meio.

Leandro Santana diz (04 de julho):

(...)
Comentar um pouco sobre o professor pesquisador Paulo Freire é muito legal no processo de ensino aprendizagem, pois buscava nas coisas mais simples um jeito interessante de se ensinar, conhecendo as necessidades do povo.

Profª. Márcia Mello diz (04 de julho):

Rosana, Leandro Santana, Josiele, Paulo e Gilson
Muito bom estarmos juntos.
Vocês apontam a importância de considerarmos novas formas de tratarmos o conhecimento e o ensino. Realmente Paulo Freire rompeu com o modelo tradicional de ensino. Ele considerava tal modelo arcaico e reprodutor das desigualdades sociais.
Dessa forma os conteúdos escolares, para Paulo Freire, não precisam ser prescritos em cartilhas ou livros didáticos,mas sim nascer dos interesses e das necessidades dos educandos. Daí a importância dos temas geradores.
De acordo com Paulo Freire, no trabalho com os temas geradores (com projetos de ensino ou não), tanto educadores quanto educandos envoltos numa pesquisa, não serão mais os mesmos. Os resultados implicam em mais qualidade de vida, são indicativos de mais cidadania, de mais participação nas decisões da vida cotidiana e da vida social.
É o que necessitamos com urgência!!!!!!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Paulo Freire e a Educação - Parte 01

No dia 04 de julho de 2009 realizamos um forum de discussões à distância na Especialização em Docência do Ensino Superior das FIO, no módulo Projetos Interdisciplinares mediado pela Professora Márcia Mello. O debate ocorreu no portal www.eadgac.com.br/moodle, com a temática “Paulo Freire e a Educação”, tendo sido indicado pela Profª que antes assistíssemos ao documentário "Paulo Freire contemporâneo" (partes 1 e 2), disponíveis em:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=99980

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=99981

bem como a leitura do texto: "Construção Coletiva de um Projeto Interdisciplinar de Extensão Comunitária" do Núcleo de Extensão Comunitária da Universidade Católica de Santos (NECOM).
Inicialmente publico esse post para recomendar aos colegas os vídeos e o texto citados. Aproveito também para comunicar que devido ao grande sucesso e qualidade do forum postarei na seqüência alguns trechos discutidos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Entrevista com Peter Brook

O homem-câmera


O dramaturgo Peter Brook fala da influência de Shakespeare, Tchekhov e Beckett em sua produção e diz que o fotógrafo Cartier-Bresson foi essencial para definir seu modo de encenar
FABIENNE DARGE


Aos 81 anos, o incansável viajante Peter Brook prossegue sua exploração do teatro como instrumento de descoberta da vida no que ela tem de mais diverso: uma estética da pluralidade, uma ética da curiosidade e da abertura, que o levam a montar mais uma vez esse "teatro das favelas" sul-africano com "Sizwe Banzi Morreu", de Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona.

PERGUNTA - Quando criança, o senhor se apaixonou pela fotografia e o cinema. Mas foi o teatro que o fascinou. Como analisa isso? PETER BROOK - A partir do momento em que comecei a abrir os olhos para o mundo ao meu redor, achei fascinante tudo o que via. Entrei na vida -e fiquei por muito tempo- com esse fascínio do viajante, do aventureiro: tudo o que passava pelos olhos era para mim o alimento da vida. Mas, se você vê a vida dessa maneira, fica numa espécie de solidão. Como naquela famosa canção inglesa [de Albert Hammond], "I'm a Camera". Portanto, de certo modo, é isso o que sou: uma câmera fotográfica. Para mim, fazer cinema era colocar esse olho da câmera pessoal atrás do olho da lente, e com ela penetrar o mundo. Mas, se sou uma câmera, isso significa que há uma só pessoa no centro, a que está atrás da lente. Quando comecei a trabalhar em cinema, na Inglaterra, nos anos 1940, eu não era absolutamente anti-social, tinha muitas relações, mas era um caminho de vida puramente individualista.

PERGUNTA - Foi essa constatação que o levou ao teatro? BROOK - Na Inglaterra extremamente fechada e cinzenta daquela época, interessei-me primeiramente pelo teatro por causa do ambiente que ali reinava: uma certa energia, uma certa excitação. O teatro em si era um tédio mortal, mas no interior dessa forma artificial havia uma grande vitalidade. Assim, me aproximei desse mundo, comecei a montar peças, e aí, trabalhando com os atores, na relação entre o grupo de atores e um grupo maior que é o público, descobri, mais que a alegria, a verdade de estar num trabalho coletivo. A profunda satisfação de realizar, de compartilhar uma coisa, do primeiro dia até o momento tão importante e delicado das representações. Costumo comparar o teatro à cozinha: os ensaios são uma preparação em vista do momento em que a refeição será saboreada junto com os espectadores. E esse momento deve, a cada vez, ser totalmente respeitado. Sempre pensei que todo trabalho teatral que despreza o público não é teatro.

PERGUNTA - O sr. emprega com freqüência metáforas fotográficas para falar de seu trabalho. E refere-se muitas vezes a Cartier-Bresson... BROOK - Trabalhando, aprendi que aquilo de que mais devemos desconfiar é a tentação de impor uma forma a uma peça. Para mim, o trabalho teatral deve permitir que a forma natural da vida, que está sempre escondida, suba à superfície. Acho terrível chegar, como diretor que vai montar "Hamlet" ou qualquer outra grande peça, com uma idéia muito preparada: "minha" leitura da peça. Não tenho o direito de ter uma leitura própria dessa peça. Mas, ao mesmo tempo, ler a peça em voz alta não basta para que sua verdadeira vida oculta suba à superfície.

PERGUNTA - É isso que o liga ao trabalho de Cartier-Bresson?
BROOK -
O extraordinário em Cartier-Bresson é que ele desenvolveu algo além da sensibilidade: uma forma de percepção que tornava natural o fato de que, estando lá, com sua máquina, com milhares de formas de vida que passavam a cada instante diante de seus olhos, ele podia sentir com um milissegundo de antecipação que haveria um desses momentos em que todos os elementos diante dele estariam ligados de uma determinada maneira. Um desses momentos em que todas essas ligações que estão sempre presentes, subterrâneas, seriam subitamente visíveis. E essa intuição lhe dava tempo de erguer a câmera, apertar o botão e captar o que ele chamava de momento preciso, o momento vivo.

PERGUNTA - Como esse tipo de postura pode se traduzir no teatro?
BROOK -
Com freqüência, nos ensaios, usamos fotos para que os atores possam se aproximar de uma vida que era distante deles, deixando-se invadir por essas imagens. A partir daí, um pouco como Cartier-Bresson, o ator deve sentir, encontrar o que precede esse momento e o que vem depois. Partimos da pesquisa de um momento preciso, para que não haja apenas um momento preciso, mas vários momentos precisos, para que seja a vida escoando por meio deles. O que quer dizer, afinal, o trabalho de ator? É pôr em relevo o que normalmente passa despercebido: os impulsos, as reações, tudo o que está escondido no ser humano.

PERGUNTA - Para o sr., há três pontos culminantes no teatro: os gregos, Shakespeare e Tchekhov...
BROOK - Beckett também...

PERGUNTA - Mas, se Shakespeare é uma coluna vertebral em sua trajetória, o senhor afinal montou pouco os gregos, Tchekhov e Beckett...
BROOK -
O motivo pelo qual gosto tanto de Shakespeare é que ele não tem um ponto de vista. Ninguém pode dizer sobre uma de suas frases: "Ah, aí ouvimos a voz do autor, foi isso que ele quis dizer...", enquanto na maioria dos autores ouvimos a cada instante a voz e a autoridade do dramaturgo, que utiliza essa forma coletiva como instrumento pessoal para falar ao mundo. Quando montei "Don Giovanni", de Mozart, não tinha a impressão de que era um mundo fechado vindo do cérebro, do espírito, de um certo compositor; não, era um material vivo, exatamente como o que está por trás desse momento de Cartier-Bresson. A maravilha de Shakespeare é que esse homem conseguiu muito rapidamente absorver todas as impressões da vida ao seu redor, incluindo o que estava distante dele, vindo de classes sociais que ele nunca havia freqüentado. E depois, no momento da escrita, que aparentemente para ele era de uma rapidez extraordinária, toda a vida era repassada, com os suportes necessários: porque é preciso ter histórias, é preciso ter personagens. E eram iluminados de uma maneira extraordinária por essa criatividade absoluta, vinda de um homem que não queria se impor para impedir que alguma coisa além dele aparecesse. Shakespeare é um fenômeno.

PERGUNTA - E Tchekhov?
BROOK -
Tchekhov também é um fenômeno: um grande escritor, cuja profissão não foi sempre essa. Enquanto médico, todos os dias, o tempo todo, ele estava na posição de observador. Ele estava lá, absorvia a vida das pessoas de todos os meios sociais. Mas é um observador preocupado, envolvido, profundamente tocado pelo sofrimento humano: por exemplo, foi a Sakhalina para fazer um grande livro sobre aquele campo de deportação... Mas era envolvido e distante ao mesmo tempo, e nos momentos de distanciamento via o absurdo da vida. Para ele, a tragédia, a tristeza, o tédio eram onipresentes; no entanto há em suas peças, no interior do pequeno universo que descreve (muito mais limitado que Shakespeare), o mesmo interesse pelo desconhecido da vida que existe no autor de "Hamlet". É uma verdadeira forma de generosidade: abandonar o que queremos dizer para acolher os outros...

PERGUNTA - Como isso acontece em Beckett?
BROOK -
Beckett é totalmente extraordinário. Em primeiro lugar, porque teve uma generosidade real, uma maneira de olhar para a vida e o teatro com formas que são totalmente criadas por ele. Imagens, como em "Dias Felizes" ou como a árvore de "Esperando Godot". E essas imagens são ao mesmo tempo inseparáveis de um sentido, da musicalidade que une a palavra ao silêncio. Com sua distância e seu humor, com essa recusa em deixar a personalidade e a emoção do ator submergirem em seu próprio objetivo, com o combate doloroso para que cada frase seja precisa, ele entrou profundamente no que acontece continuamente no interior dessa caixa desconhecida que é o ser humano. Se ele via apenas miséria e tragédia, é porque todos nós somos, a todo instante, completamente prisioneiros de nosso passado. Veja uma peça como "A Última Fita de Krapp": trata-se de alguém que, por mais que se esforce, não consegue sair do fato de que toda a sua vida passada está registrada e não pára de voltar. E, de repente, ele não pode nunca mais estar no presente: sempre, sempre, o presente é reencontrar a velha fita.

PERGUNTA - O sr. considera Beckett um trágico puro?
BROOK
- Ao montar "Dias Felizes" -acabo de encená-la em alemão, em Berlim-, fiquei profundamente tocado pelo fato de ele ter decidido que o personagem central fosse uma mulher. No meio de todas essas peças terríveis, cheias de mendigos, há coisas muito mais femininas, como "Cadeira de Balanço", e depois essa grande peça em que o homem tem um papel muito obscuro e miserável. Mas a mulher também é trágica: é de tal forma prisioneira de sua pequena fita que se repete o tempo todo, de tal forma prisioneira da banalidade... Ao mesmo tempo -e é o que torna essa peça tão importante-, essa mulher totalmente enfiada no mundo, na terra em que ela se afunda, também deseja ser como o pássaro, voar alto, e não ser absorvida pela terra. Por trás da tagarelice dessa mulher, abrem-se brechas para o desconhecido -e nesses momentos sentimos a grandeza da peça, que nos coloca diante do intolerável, do impossível. É o efeito trágico que existe nas tragédias gregas, em que, nos piores momentos, o público é subitamente colocado diante de alguma coisa que supera a miséria humana, supera a crueldade, a bestialidade.

PERGUNTA - Qual é o papel da África em seu teatro?
BROOK -
Na origem da criação do Centro Internacional [de Pesquisa Teatral, em Paris, do qual foi fundador], havia a convicção de que nossa pequena cultura arrogante e fechada tinha tudo a aprender com as outras. O interesse pela África não era maior que o interesse pelo Japão ou a Índia, mas era menos conhecido. Eu achava -e acho cada vez mais- as imagens da África extremamente parciais, mesmo entre muitos dos que dizem amar a cultura africana. É muito raro considerarmos a África uma civilização realmente rica e profunda. E por motivos pessoais e humanos, mas também sociais, é uma coisa importante para mim: o racismo tal como o conhecemos hoje é algo que devemos combater. Pelo exemplo, porque as declarações não servem para nada.
Mas não é só isso. É também a consciência de uma riqueza extraordinária: a África é o humano. E, se quiser, em seu teatro, dizer algo sobre a humanidade, não pode fazê-lo sem essa contribuição. É simples assim. Foi por isso que fiz "A Tempestade" [de Shakespeare] com o ator malinês Sotigui Kouyaté no papel de Próspero.

PERGUNTA - Sua relação com a África negra também tem a ver com a narrativa, com o conto?
BROOK -
Quando se trata de teatro, a tradição oral, que aliás está desaparecendo, é sempre importante. O bom ator africano -nem todo mundo é feito para ser ator, inclusive na África!- é principalmente orgânico. Não tem necessidade de aprendizado para isso, de estudar mímica ou commedia dell'arte: ele tem essa capacidade de transmitir suas imagens internas com o corpo, sem uma técnica determinada. Essa técnica, que os grandes atores ocidentais às vezes trabalham durante anos, dá aos atores africanos uma grande naturalidade, que não se perde no trabalho com a técnica.

PERGUNTA - É verdade que um de seus lemas é a frase de "Hamlet": "the readiness is all" -que poderíamos traduzir como "estar preparado é tudo"?
BROOK -
Está vendo, fechamos o ciclo: voltamos a Cartier-Bresson. Se ninguém faz fotos como as dele, é porque ele estava a todo instante "ready", aberto, preparado.

Este texto saiu no "Le Monde".
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Reflexão

Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem paz, é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja você, que no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as pessoas.

(Madre Tereza de Calcutá)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Construtivismo

Confrades e Confreiras,

aqui vai mais um registro de atividade na Especialização em Docência do Ensino Superior no múdulo de Teorias da Aprendizagem. A professora Gisele Melles levou argila pra trabalharmos em grupos com foco no construtivismo de Piaget. Abaixo segue algumas fotos de nossa "vernissage".

terça-feira, 28 de abril de 2009

Educação Especial

Vídeo sobre Educação Especial elaborado no módulo de Currículo e Novas Tecnologias na Educação da Pós em Docência no Ensino Superior sob a orientação do professor Gilson Castadelli.

domingo, 19 de abril de 2009

Teatro

Deixo aqui o relato de uma experiência que foi realizada no módulo de Psicologia da Educação, no curso de Especialização em Docência do Ensino Superior das FIO. A professora Gisele Melles dividiu a sala em grupos para trabalharmos com algum tema relacionado à educação, cada grupo seria autônomo para apresentar seu trabalho. Nosso grupo realizou uma representação teatral abordando a multiplicidade e pluralidade dos alunos que existe em cada sala de aula e as dificuldades desse professor. Nós construímos nossos personagens de forma aprofundada, mas no dia da encenação utilizamos de técnicas de improvisação teatral.


Carmenlícia, Fioravante, Harold, Leandro, Rosana e Thiago

quarta-feira, 15 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Elogio do aprendizado

Aprenda o mais simples! Para aqueles
Cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas
Aprenda! Não desanime!
Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!

Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!
Freqüente a escola, você que não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.
Você tem que assumir o comando.

Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer
Veja com seus olhos!
O que não sabe por conta própria
Não sabe.
Verifique a conta
É Você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: O que é isso?
Você tem que assumir o comando.

Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956, Seleção e tradução Paulo César de Souza, editora 34, página 114.